quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

ESCREVE-ME ...

  

Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta

Como um perfume casto d'açucenas!

Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu já, e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração! "Amo-te!"

Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...

Florbela Espanca. 

domingo, 17 de novembro de 2013

INCONSTÂNCIA...

 
 


Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
... Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...

 

 

Florbela Espanca. 

 
 

UM POUCO DE TUDO ...




Talvez eu seja um pouco
 
Das palavras que caminham

A meu lado,

Um pouco de tudo…

Que meus olhos amaram

... E saciaram na poeira da terra

Ora quente… ora fria!

Um pouco de melodia

Um pouco de fantasia

Utopia e filosofia,

Um pouco de quem amei

E partiu…

Um pouco de quem amo

E chega todos os dias,

Um pouco de sentimentos,

Emoções e fragilidades…

Talvez eu seja um pouco

De quem me amou

De quem amei…

Da saudade que em mim deixaram

De memórias afagadas,

Talvez eu seja este último grito

Da minha essência,

Aquela que não me abandonou

E me continua tão misteriosa

Oculta e silenciosa,

Mas tão indelevelmente minha !



C.C.

 
 



sábado, 16 de novembro de 2013

SAUDADE ...

 

 

 
 

Saudade é solidão acompanhada, 

é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
                                                          

Pablo Neruda

 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

QUERO APENAS CINCO COISAS ...

 
 
 
 
Foto: Quero apenas cinco coisas.. 
Primeiro é o amor sem fim 
A segunda é ver o outono 
A terceira é o grave inverno 
Em quarto lugar o verão 
A quinta coisa são teus olhos 
Não quero dormir sem teus olhos. 
Não quero ser… sem que me olhes. 
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda
 
 

Quero apenas cinco coisas...

Primeiro é o amor sem fim

A segunda é ver o outono

A terceira é o grave inverno

Em quarto lugar o verão

A quinta coisa são teus olhos

Não quero dormir sem teus olhos.

Não quero ser… sem que me olhes.

Abro mão da primavera para 

 

que continues me olhando.

 

Pablo Neruda.

 
 
 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

EU SIMPLESMENTE AMO-TE ...

 


"Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde.

 

Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho:

 

eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra

 

forma de amar sem ser esta, onde não existe

 

 eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito

 

é a minha mão, tão intimamente que

 

 quando adormeço os teus olhos fecham-se."

 

 

Pablo Neruda.

 
 
 


terça-feira, 28 de maio de 2013

SONHAR A REALIDADE ...

 

Agora
que as tuas mãos
já não procuram o meu peito branco
nem os barcos de ternura
navegam nos teus olhos
... todos os pássaros se inquietam no azul do céu
o verde da tua mirada dissolveu-se na madrugada
as flores que nunca me ofereceste
adormeceram inebriadas no silêncio do seu perfume
e as melodias tatuadas na linguagem ausente
repousam agora entre as pétalas das minhas pernas esguias
o vento esse
ficou acorrentado na garganta
como vela solta em mar revolto
como gaivota sem marés nem terra...

 

Mariana Valente.