domingo, 17 de novembro de 2013

INCONSTÂNCIA...

 
 


Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
... Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...

 

 

Florbela Espanca. 

 
 

UM POUCO DE TUDO ...




Talvez eu seja um pouco
 
Das palavras que caminham

A meu lado,

Um pouco de tudo…

Que meus olhos amaram

... E saciaram na poeira da terra

Ora quente… ora fria!

Um pouco de melodia

Um pouco de fantasia

Utopia e filosofia,

Um pouco de quem amei

E partiu…

Um pouco de quem amo

E chega todos os dias,

Um pouco de sentimentos,

Emoções e fragilidades…

Talvez eu seja um pouco

De quem me amou

De quem amei…

Da saudade que em mim deixaram

De memórias afagadas,

Talvez eu seja este último grito

Da minha essência,

Aquela que não me abandonou

E me continua tão misteriosa

Oculta e silenciosa,

Mas tão indelevelmente minha !



C.C.

 
 



sábado, 16 de novembro de 2013

SAUDADE ...

 

 

 
 

Saudade é solidão acompanhada, 

é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
                                                          

Pablo Neruda

 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

QUERO APENAS CINCO COISAS ...

 
 
 
 
Foto: Quero apenas cinco coisas.. 
Primeiro é o amor sem fim 
A segunda é ver o outono 
A terceira é o grave inverno 
Em quarto lugar o verão 
A quinta coisa são teus olhos 
Não quero dormir sem teus olhos. 
Não quero ser… sem que me olhes. 
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda
 
 

Quero apenas cinco coisas...

Primeiro é o amor sem fim

A segunda é ver o outono

A terceira é o grave inverno

Em quarto lugar o verão

A quinta coisa são teus olhos

Não quero dormir sem teus olhos.

Não quero ser… sem que me olhes.

Abro mão da primavera para 

 

que continues me olhando.

 

Pablo Neruda.

 
 
 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

EU SIMPLESMENTE AMO-TE ...

 


"Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde.

 

Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho:

 

eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra

 

forma de amar sem ser esta, onde não existe

 

 eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito

 

é a minha mão, tão intimamente que

 

 quando adormeço os teus olhos fecham-se."

 

 

Pablo Neruda.

 
 
 


terça-feira, 28 de maio de 2013

SONHAR A REALIDADE ...

 

Agora
que as tuas mãos
já não procuram o meu peito branco
nem os barcos de ternura
navegam nos teus olhos
... todos os pássaros se inquietam no azul do céu
o verde da tua mirada dissolveu-se na madrugada
as flores que nunca me ofereceste
adormeceram inebriadas no silêncio do seu perfume
e as melodias tatuadas na linguagem ausente
repousam agora entre as pétalas das minhas pernas esguias
o vento esse
ficou acorrentado na garganta
como vela solta em mar revolto
como gaivota sem marés nem terra...

 

Mariana Valente.

domingo, 5 de maio de 2013

MÃE ...



 
 

Mãe!

  

Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego

muito apertado!

Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa.

Como a mesa.

Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva

exactamente para a nossa casa, como a mesa.
 

Mãe!   

 

passa a tua mão pela minha cabeça !

Quando passas a tua mão pela minha cabeça

 é tudo tão verdade !


 


 Almada Negreiros.


 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

SONHANDO ...

 

   

É noite pura e linda. Abro a minha janela
E olho suspirando o infinito céu,
Fico a sonhar de leve em muita coisa bela
Fico a pensar em ti e neste amor que é teu!

 

D’olhos fechados sonho. A noite é uma elegia
Cantando brandamente um sonho todo d’alma
E enquanto a lua branca o linho bom desfia
Eu sinto almas passar na noite linda e calma.

 

Lá vem a tua agora… Numa carreira louca
Tão perto que passou, tão perto à minha boca
Nessa carreira doida, estranha e caprichosa

 

Que a minh’alma cativa estremece, esvoaça
Para seguir a tua, como a folha de rosa
Segue a brisa que a beija… e a tua alma passa!…

 

Florbela Espanca.

quarta-feira, 13 de março de 2013

CANÇÃO DE OUTONO ...


 Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
... Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.

Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
 

 

Cecília Meireles.

terça-feira, 12 de março de 2013

A FLOR DO SONHO ...



A flor do sonho, alvíssima, divina
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
... Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina.
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim!…
Milagre… fantasia… ou talvez, sina….

Ó flor, que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?!…

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minh´alma
E nunca, nunca mais eu me entendi…

Florbela Espanca.


 

domingo, 10 de março de 2013

RECORDO-TE ...

 


Hoje sinto-me incompleto... pois simplesmente, recordei ...
Lembrei me de ti, do teu sorriso, da tua alegria, em mim
Recordo o que contigo aprendi e como vazio fiquei
A dor e saudade o tormento sem fim ...
...
Foste alma que me criou
E num momento partiste sem dizer adeus
Assim deixaste-me incompleto, o mundo sem ti ficou
As lágrimas caíram, e perdi os abraços teus...

Momentos que passei, o que aprendi,
Os dias melhores que vivi
Que recordo em mágoa lembrando-me de ti
Sabendo que estejas onde estiveres, olhas por mim

Mas não te disse metade do que queria
Não tive essa hipótese foste vida interrompida
E eu continuo a amar-te como sempre amei ...
Recordo-te,…
sorrindo,....chorando, deixaste a vida mais vazia

Devia ter-te dito que te Amo incondicionalmente
Que perdoei tudo que um dia me magoou
Que sinto a falta da tua amizade de te ter presente
Que o meu mundo simplesmente... mudou

Mas tudo o que me ensinas-te mora no meu ser
És anjo que ao céu, por ordem do destino... subiu
Estás, estarás e ficarás no meu ser, no meu coração até eu morrer
Parte de mim que um dia simplesmente...partiu

 Autor Desconhecido.

 

 

AMIZADE ...




A amizade
é o mais belo afluente do amor,
ela ajuda a resolver,
com paciência,
as complicadas equações
da convivência humana.

A amizade
é tão forte quanto o amor,
ela educa o amor,
sinalizando o caminho da coerência,
apontando as veredas da justiça,
controlando os excessos da paixão.
A amizade
é um forte elo que une pessoas
na corrente do querer.
Amizade
é cola divina,
cola demais,
pode doer.

A amizade
tem muito mais juízo que o amor,
quando ele se esgota
e cisma de ir embora,
ela se propõe a ficar,
vigiando o sentimento que sobrou.

Ivone Boechat.

sábado, 9 de março de 2013

PEÇO SILÊNCIO ...

 

 

Agora me deixem tranquilo.
Agora se acostumem sem mim.
 Eu vou fechar os olhos
 E só quero cinco coisas,
Cinco raízes preferidas.

 Uma é o amor sem fim.
 A segunda é ver o outono.
Não posso ser sem que as folhas
Voem e voltem à terra.
 A terceira é o grave inverno,
A chuva que amei, a carícia
Do fogo no frio silvestre.
 Em quarto lugar o verão
Redondo como una melancia.
 A quinta coisa são teus olhos,
Matilde minha, bem amada,
Não quero dormir sem teus olhos,
Não quero ser sem que me olhes:
Eu troco a primavera
Pra que tu fiques me olhando.
 

Amigos, isso é tudo o que quero.
É quase nada e quase tudo.
 Agora, se querem que se vão.
 Vivi tanto que um dia
Terão de esquecer-me com força,
Apagando-me do quadro negro:
Meu coração foi interminável.
 Mas porque peço silêncio
Não creiam que vou morrer:
Pois é exatamente o contrário:
Acontece que vou viver.

 Acontece que sou e que sigo.
 Não será, pois, senão que dentro
De mim crescerão cereais,
Primeiro os grãos que rompem
A terra para ver a luz,
Porém a mãe terra é escura:
E dentro de mim sou escuro:
Sou como um poço em cujas águas
A noite deixa suas estrelas
E segue só pelo campo.
 Trata-se de que tanto vivi
Que quero viver outro tanto.
 Nunca me senti tão sonoro,
Nunca tive tantos beijos.
 Agora, como sempre, é cedo.
Voa a luz com suas abelhas.
 Deixem-me só com o dia.
Peço permissão para nascer. 

 

Pablo Neruda.

 

segunda-feira, 4 de março de 2013

SILÊNCIO ...

 

"No fadário que é meu, neste penar,

Noite alta, noite escura, noite morta,
 
Sou o vento que geme e quer entrar,
Sou o vento que vai bater-te à porta...

Vivo longe de ti, mas que me importa?
Se eu já não vivo em mim! Ando a vaguear
Em roda à tua casa, a procurar
Beber-te a voz, apaixonada, absorta!

Estou junto de ti, e não me vês...
Quantas vezes no livro que tu lês
Meu olhar se pousou e se perdeu!"



  Florbela Espanca.




sexta-feira, 1 de março de 2013

FANATISMO ...



Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

... Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!"

Florbela Espanca.
 


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

SUPREMO ENLEIO ...


 
Quanta mulher no teu passado, quanta!
Tanta sombra em redor! Mas que me importa?
Se delas veio o sonho que conforta,
A sua vinda foi três vezes santa!

Erva do chão que a mão de Deus levanta,
Folhas murchas de rojo à tua porta...
... Quando eu for uma pobre coisa morta,
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!

Mas eu sou a manhã: apago estrelas!
Hás-de ver-me, beijar-me em todas elas,
Mesmo na boca da que for mais linda!

E quando a derradeira, enfim, vier,
Nesse corpo vibrante de mulher
Será o meu que hás-de encontrar ainda...

Florbela Espanca.
 

 


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

QUERO-TE BEM ...



Deixei-te na esquina da saudade,
Minha mão sorriu em leve Adeus,
Ingrata é a hora do partir!
Mas meu Amor por ti... ficou,
Mais forte que o breve Adeus!

Deixaste-me num leito de silêncio,
Cultivando nosso jardim de memórias,
De uma Primavera...
... Onde rápidamente invernou,
E alva era a neve ,
Neste crepitar de lenha seca,
Que a cinza da lareira apagou!

Ainda escuto as longas horas,
Onde bebi em cálice tuas palavras,
Saboreando o mel dos sorrisos e afagos.
E no fel das tuas dores... sofri!

Quis caminhar a teu lado,
Mas tua alma solitária...
Desencantou-se da minha,
Entre a lágrima e o sorriso!

Quero-te bem...
Só sei amar assim!

Posso negar-(me) a dor,
Posso aceitar o desamor,
Posso te Querer... (e)ternamente,
Posso fechar-te na saudade,
Mas meu sorriso... meu poema,
Sempre brilhará para Ti*

C.C.
 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

PARA TI ...

 


 Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
... toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que falhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida.

Mia Couto.

 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

AMO -TE ...



 

Há margens de rio,
Sem pontes a amasiar,
Há rios que se estugam
Deitados em olhares
Há esperas cautelosas
... E horas a desfiar
Há rosários de vida
Destinos por encontrar
Há dias caudalosos
De ânsias e mistérios,
Há esperas sem horas,
Que choram no coração,
Há vidas que gotejam
Momentos de solidão

Quando afinal…

Tudo seria tão simples
Tão frutuosamente singelo,
Humedeceres minha boca,
No poema que emudeces:

Amo-Te!

C.C.


domingo, 27 de janeiro de 2013

O TEU RISO...



 Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

... Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

CONTO DE FADAS...



Eu trago-te nas mãos o esquecimento

Das horas más que tens vivido, Amor!

E para as tuas chagas o ungüento

... Como que sarei a minha própria dor.


Trago no nome as letras duma flor...

Foi dos meus olhos garços que um pintor

Tirou a luz para pintar o vento...


Dou-te o que tenho: o astro que dormita,

O manto dos crepúsculos da tarde,

O sol que é de oiro, a onda que palpita.

 

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!

Eu sou Aquela de quem tens saudade,

A princesa do conto: "Era uma vez..."

 

Florbela Espanca.

domingo, 13 de janeiro de 2013

NINGUÉM ALÉM DE TI ...

 

Ninguém além de ti!

Apenas tu

Diferente de mim,

Que me fazes completo

Em tudo o que não sou...

Por que este ser que vai em

Mim?

- Porque em mim nada sobra

Que não sejas tu!

Porque sem ti falta-me a parte vital

Para ser o que sou!

Porque somos apenas um

Que divididos indiferentes somos

À vida que nos passa indiferente!...

 
 

Fernando Figueirinhas.

CORAÇÃO ...


Onde está meu coração
Que outrora batia descompassadamente?
Talvez ancorado num cais perdido
Talvez esquecido num areal longínquo
Ou quem sabe, nunca tenha assim batido...

Onde poderá estar?
Nas cordas dum violino
Chorando acordes melancólicos
Num beco sem saída, num temporal
Naufragado num oceano
Envolvido num sudário de estrelas do mar
Ou na etérea neblina da floresta
Caminhando como um insano perdido, quem sabe...

Recordo vagamente, como pulsava em mim
Procuro incessantemente sem o vislumbrar
Retenho em mim memórias vagas
Lembranças diáfanas.

Meu coração, agora sem rosto
Deixou de sentir, pereceu
Em seu lugar está uma ferida, mal cerzida
Já esqueci a razão pela qual sorria
Neste tempo, sem tempo
Onde, fugazmente, a vida aconteceu.

Não quero calar a voz que dói em mim
Numa preamar, quem sabe, logo de madrugada
Num eco do mar, eu o posso encontrar
Ou uma gaivota, protegendo-o em suas asas
Mo possa devolver, sem coros ou lamentos
Quero-o de novo, pulsante ardente
Quero-o, quero-te coração, em mim novamente!


  CC.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

APRESENTO-ME COMO COMECEI...



 

 

Diante do re-começo,
Os medos multiplicam-se,
E eu só quero dizer adeus,

Ajoelho-me diante de mim,
... Confesso-me em bocados pecados,
Afago-me na despedida,
Um rosto marcado pelo tempo,
Onde centelhas de amor brilharam,
E sombras de dor habitaram,

Percorro meu corpo sem o ver,
Esta flacidez de casca,
Como uma velha árvore seca,
Que nunca perdeu um ramo
De sua identidade…

Não serei a sombra desta árvore?
Ou serei a sombra que lhe falta?

Neste viver num passo de cada vez,
Retocar de verde as folhas de esperança,
Acreditar que é sempre Primavera,
Sorrindo e consertando os galhos frágeis,
Com a seiva adocicada de amor,
Coração que não conhece maldade,

Apresento-me como comecei…

Quem me espera?
Devo partir ou ficar?
O que devo deixar para trás?
E o que devo levar?
Alguém chorará?
Quem se lembrará?
Para onde devo ir?
Senão conheço nenhum lugar?

Abro minha alma às perguntas,
Meus olhos se fecham incógnitos,
Apresento-me assim…
Numa vida sem respostas,
E o começo me impulsiona,
Na busca do verbo final!
 


 C.C.