sexta-feira, 27 de julho de 2012

TAMANHO DA ALMA ...


Trago em mim algo maior,
Algo que me alegra ou me dói,
Que me cresce ou me corrói,
Algo que me obriga a ponderar,
Que me faz acreditar.

Algo de um tamanho sem medida
... Que me aconselha ou trucida
E que em permanente investida
Me eleva no fado na vida

A alma que caminha comigo
No corpo que lhe serve de abrigo
Traja os meus olhos e a pele que me despe
Partilha a almofada e a noite agreste

A alma que em paz me adormece
E transborda num juízo tranquilo
Acalma o coração que ferido
Se aperta num ferimento sentido.

A alma que alimenta o meu ser
Que orienta o meu querer
Deixa que prossiga tranquila
Que não tenha nada a temer.

Fernanda Paixão.


 

 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

FALA-ME COM O TEU OLHAR ...




Fala-me com o teu olhar

“Olha-me nos olhos e diz-me o que vês.

Paixão? Amor? Solidão? Lamento?

Olha-me nos olhos!

O que tenho cá dentro?

 

... Os olhos não mentem.
São o espelho da alma, dizem
Denunciam a mentira.
Exibem a verdade.
São o nosso sofrimento, amor, saudade.

Olha-me nos olhos e diz-me o que vês.
Acreditas agora que estás dentro de mim?
O olhar não mente.
As pessoas sim!”
 

Autor Desconhecido.




segunda-feira, 16 de julho de 2012

SILÊNCIO ...



 No fadário que é meu, neste penar,
Noite alta, noite escura, noite morta,
Sou o vento que geme e quer entrar,
... Sou o vento que vai bater-te à porta...

Vivo longe de ti, mas que me importa?
Se eu já não vivo em mim! Ando a vaguear
Em roda à tua casa, a procurar
Beber-te a voz, apaixonada, absorta!

Estou junto de ti, e não me vês...
Quantas vezes no livro que tu lês
Meu olhar se pousou e se perdeu!

Trago-te como um filho nos meus braços!
E na tua casa... Escuta!... Uns leves passos...
Silêncio, meu Amor!... Abre! Sou eu!...

Florbela Espanca.


  

 

DESEJOS VÃOS ...



 Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
... A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o sol, a luz intensa
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!

E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras... essas... pisa-as toda a gente!...

Florbela Espanca.


 


 

 

SABES QUE TE AMO ...





... Sabes muito bem que te amo.

Não te abandonaria nunca, por nada!

Beijo o teu coração, carente do meu;

E o meu do teu.

 

Corações mútuos de amor tocam-se!

 

Fernando Figueirinhas.