terça-feira, 15 de maio de 2012

FALO DE TI ÀS PEDRAS DAS ESTRADAS ...


Falo de ti às pedras das estradas,

E ao sol que é louro como o teu olhar,

Falo ao rio, que desdobra a faiscar,

Vestidos de princesas e fadas;


Falo às gaivotas de asas desdobradas,

Lembrando lenços brancos a acenar,

E aos mastros que apunhalam o luar

Na solidão das noites consteladas;

 

Digo os anseios, os sonhos, os desejos

Donde a tua alma, tonta de vitória,

Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

 

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço

Sobre os brocados fúlgidos da glória,

São os astros que me tombam do regaço.


 

Florbela Espanca.


 

 

domingo, 13 de maio de 2012

VÁCUO ...


 

 Sinto-me vazio sem ti!
Ainda ontem te tinha;
Hoje te perco....

Sem que te tivesse por inteiro,
Tinha-te no melhor de ti,
Que hoje foge como o vento
E o tempo.

Lamento não te ter, não por mim,
Mas por ti.
Que nunca nada tive igual a ti!

Sorte tive em te ter enquanto
Pensei te ter,
Agora, um sonho do que tive...

Fernando Figueirinhas. 


    

domingo, 6 de maio de 2012

DESPEDIDA ...


 Por mim, e por vós, e por mais aquilo
...
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra. 

 (Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.
 
Cecília Meireles.








MÃE ...



Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras...
E nelas cabe o infinito.
Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer...
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!

 Mário Quintana.


sábado, 5 de maio de 2012

À LAREIRA ...



 Sento-me em frente da lareira
E olho as chamas.
Vidas vibrantes sa...
ltam à frente.

Daqueles que me acompanham;
Dos que já se foram,
Que em noites como esta
Aqui ficaram...

Vidas aqui presentes se fazem sentir!
Noites inconformadas de vazio enchem-se;
Recordações vivas se perpetuam.
Começa o diálogo afônico.

Presenças ocultas
Nas chamas vibrantes
Dizem-me: estamos contigo!

Fernando Figueirinhas.